CANHOTICES

...em Torres Novas, Ribatejo, Portugal. Do lado esquerdo da vida.

26.1.10

Abaixo o futebol solidário

Publicada por zemanel |


Não há paciência para os jogos de futebol de solidariedade que envolvem as estrelas do passado. Ontem no Estádio da Luz aconteceu mais uma espécie de jogo de futebol. Sim uma espécie: Em qualquer jogo de solteiros e casados há um mínimo de competição - nestes jogos solidários há de tudo, menos a preocupação em marcar golos. Futebol ? nem por isso.
Depois em volta do arraial os jornalistas colaboram com a festa e tentam transformar um espectáculo triste e enfadonho num grandioso jogo de futebol. Ali  onde ninguém corre, ninguém disputa uma bola, ninguém arrisca uma fita.
E que dizer das velhas estrelas? Destroem completamente a imagem e a saudade que guardamos dos craques que adorávamos.
Ver Mats Magnusson, 20 anos depois da final da Taça dos Campeões Europeus entre o Benfica e o Milan, a rebolar pela relva como um barril tonto é demais, demais...É como se uma boa parte da imagem que retenho de um certo Benfica me tivesse roubada!
Prefiro ver na RTP Memória um belo despique entre o João Vieira Pinto e o Paulinho Santos. Ou ver uma equipa inteira do FC Porto a correr atrás do árbitro de Évora.
Bola é Bola!
Para mim o Magnusson era golos e pronto!
O futebol é para jogar e para ganhar. Mesmo a feijões!
Os mitos são mitos! 
...não se podem deixar destruir assim! Nem pelo Haiti!
Quando é a próxima jogatana na RTP Memória ?

3 canhotices:

Anónimo disse...

Pois é. Quem se propõe ajudar alguém ou apoiar algo, fá-lo com aquilo que tem e com aquilo que sabe.

O que terá feito o senhor Zé Manel pelo Haiti? Ao menos o outro "rebolou na relva como um barril"! Fez o melhor que pôde porque alguém lhe disse que isso poderia fazer bem a alguém.

JCM disse...

Caro Zé Manel,

Discordo em absoluto consigo. Aquilo é o que de melhor tem o futebol. Não é futebol a sério, claro que não, mas é um exercício da boa vontade. Isso é importante. Serve de exemplo. Aquilo que se passou no Estádio da Luz é muito mais educativo do que aquilo que muitas vezes se passa num estádio, num jogo sério, onde as trapaças são mais do que muitas. Depois, há a memória, o exercício dessa faculdade que nos torna todos um pouco menos agressivos. Eu vi jogar muita daquela gente, uns na televisão outros na velha Luz. Gostei de os ver, como se voltasse a ver um amigo desaprecido há muito. Sejamos complacentes.

Abraço,

jcmaia

zemanel disse...

Percebo o seu ponto de vista, obviamente. Sim é sempre um prazer rever o shéu ( que grande jogador), o chalana, o magnusson...
Mas se ficamos contente por rever estes amigos ( e temos saudades do Bento por exemplo) ao mesmo tempo sentimos que os ídolos que tínhamos aos 12 anos ( e isso sucede com os jogadore referidos)desceram da sua condição imaculada à condição humana - que aliás foi sempre a sua.
O defeito está no puto que fui e que construí sobre aqueles homens uma entidade quase sobrenatural e hoje descubro-os iguais a todos nós.
O texto que aqui escrevi era precisamente uma ironia sobre essa condição sobrenatural, quase beatífica e que é destruída com um Magnusson tão humanamente a elogiar o esporão de 87.
Sim, o defeito é meu, que privatizei no meu disco rígido um outro Magnusson, outro Chalana, outro Pietra...
E...no fundo estou completamente de acordo com estes jogos de futebol. que fique esclarecido. Não tenho um coração tão gelado!

Subscribe