1. Parece que o PS em Torres Novas elegeu uma nova comissão concelhia, presidida agora por José Trincão Marques.Será desta que vemos ver o PS ter voz própria em Torres Novas? Será desta que vamos ver o PS a ter iniciativas políticas?
Onde esteve a voz do PS nas questões locais da Saúde? do Emprego? da vida do centro da Cidade? da vida no espaço rural? nas questões ambientais?
Ou continuará a ser uma comissão admnistrativa de apoio aos actos eleitorais e em que apenas uma voz, a VOZ do PODER AUTÁRQUICO, se escuta?
2. Entretanto diversos militantes do PS no distrito de Santarém, já vieram anunciar o apoio à candidatura presidencial de Fernando Nobre contra a de Manuel Alegre. Nomeadamente e segundo o site do SOL ( CLICAR AQUI ) entre esses militantes está António Rodrigues - presidente da Câmara Municipal de Torres Novas.
Segundo este site, António Rodrigues "nunca apoiará Manuel Alegre- António Rodrigues afirmou que não se vai precipitar, não escondendo, contudo, a grande identificação com a «experiência de vida fantástica» e os valores defendidos por Fernando Nobre" Ainda e de acordo com este site o "socialista António Rodrigues, não esconde a identificação com «os princípios de cidadania, lusofonia e valores históricos de Portugal» aguardando porém com uma posição oficial do partido.
Curiosamente José Trincão Marques, o novel presidente da comissão política local, é um entusiasta de primeira hora desta candidatura de Manuel Alegre - apoio expresso tanto no seu blogue TERRA NOSSA - JTM ( entretanto off line ) como no site oficial de Alegre ( ver clicando AQUI)...
Haverá aqui uma divergência (pioneirissima entre A. Rodrigues e a comissão política local do PS ?)
Ou estará o PS de Torres Novas a jogar em simultâneo com as brancas e com as pretas????
Estreia amanhã, quarta-feira e é imperdível.
Documentário? Documento histórico? Obra de cinema?
São amigos, reais, à volta de uma mesa desnovelando estórias - pedaços da resistência ao fascismo numa vila portuguesa - Torres Novas.
(O filme que hoje já não se poderia fazer.)
A simplicidade da mão que treme a segurar a câmara: captando em cru o essencial da estória, do olhar, da voz.
" Construíndo a Liberdade" - documentário produzido pelo Cineclube de Torres Novas e estreado em 2010 nas comemorações do 50º aniversário. Uma prenda do nosso Cineclube, também ele, combatente da liberdade, a poucos dias de mais um 25 de Abril.
Imperdível e já amanhã - no Teatro Virgínia de Torres Novas.
A chegada de Pedro Passos Coelho à liderança do PSD constituiu a chegada ao poder de uma geração política nascida nos ultimos anos do fascismo e nos primeos 2, 3 anos após 74.
A geração do Marco e da Heidi.
Uma geração que cresceu politicamente em liberdade, num país em que as conquistas sociais da revolução pareceram tão evidentes e naturais como a respirar ( na sáude infantil, na educação...). Uma geração em que a informática lhe entrou pela porta do quarto num gravador de cassetes e num zx spectrum, a geração da Europa TV ( uma espécie de 3º canal privado no rtp 2 com muitos telediscos), uma geração que começou a descobrir os telediscos, curtiu com Rick Astley e Sabrina, Michael Jackson e Madonna. Viu os Rambos e os RockyesnoVHS lá de casa.Quando descobriu a política não hesitou e procurou o show. Primeiro junto dos betos vestidos de sobretudo verdee camisola benetton: na cabeça os palhinhas do Freitas em 1986. E continuou obviamente, transformando-se na geração dos laranjinhas - uma juventude entusiasmada com Cavaco em 1987 e 1991.
A seguir vieram as propinas para pagar a faculdade... e o mundo fabuloso do Marco e da Heidi começou a esboroar . Nascia a geração rasca, quando os rabos ficaram à mostra.
A chegada Passos Coelho à luta pelo poder não traz, portanto, qualquer segredo.
Deixemo-nos iludir com as fantasias da Heidi e do Marco e acabaremos de novo com o rabo à mostra.
Deixemo-nos iludir com as fantasias da Heidi e do Marco e acabaremos de novo com o rabo à mostra.
Enrascados, mais enrascados, sempre enrascados.
7 Abril 1973 - Fernando Tordo canta a Tourada no Festival da Eurovisão. Felizmente, ainda não tinham acabado as canções.
com sublinhado CANHOTICES, a partir do original do Ephemera
José Pacheco Pereira continua com o seu trabalho notável de recolha de documentos políticos on line através do Ephemera.
Hoje o Ephemera publica a imagem de uma " CONSTITUIÇÃO POLÍTICA DA REPÚBLICA PORTUGUESA ASSINADA PELO CONJUNTO DOS DEPUTADOS DO PCP - Volume encadernado com uma cópia fotocopiada da Constituição antecedida da assinatura dos deputados do Grupo Parlamentar do PCP" , publicada em 1976 pelo Partido Comunista Português.
Num olhar sobre as assinaturas, há a curiosidade encontrarmos a assinatura do actual secretário geral do PCP. Também outras assinaturas por ali andam e hoja assinam noutros espaços.
Destacou-se aos olhos, no entanto, uma assinatura bem conhecida de muitos torrejanos. A assinatura de António Rodrigues Canelas, torrejano, antifascista e militante comunista, deputado constituinte e que ainda hoje, vai deixando por aí a sua assinatura, nomeadamente nas colectividades e associações onde ainda desempenha funções: assim de repente recordo que esta assinatura preside, salvo erro, às mesas das assembleias gerais da Federação Portuguesa de Cineclubes, do Cineclube de Torres Novas, da Associação de Reformados e Pensionistas de Torres Novas.
( na imagem um pouco abaixo da assinatura de António Canelas está a assinatura de outro constituinte torrejano, Hilário Teixeira)
Havia um acampamento selvagem em Lisboa junto ao Pavlhão Atlântico onde , relatam as tvs, jovens a partir dos 12 / 13 anos procuravam durante 8 dias um lugar para o concerto dos Tokio Hotel.
Até esta semana desconhecia que o espaço circundante ao Pavilhão estivesse autorizado para o campismo.
...face à ausência de qualquer intervenção das autoridades qualquer um a qualquer altura poderia montar a tenda junto ao Pav. Atlântico? Ou não?
Pelos vistos, hoje a PSP decidiu acabar com o acampamento. Se bem que não entenda porque é que os jovens menores não foram identificados e sobretudo os seus pais.
Por bem menos alguns jovens casais do meu país, vêm os seus filhos sere retirados pelas Comissões de Menores.
Entretanto, em Espanha, repetem-se as cenas anuais da borga irracional e da desbunda dos jovens finalistas (???) portugueses.
Assim se passam as férias da Páscoa.
Como se passam todos os outros dias:
Quem passar junto Escola Artur Gonçalves, em Torres Novas, ao final de cada dia, percebe a facilidade com que na avnida circula o álcool, o tabaco, as coca-colas, os mac donalds...
Não caiamos no populismo moralista.
Já todos fomos jovens, todos experimentámos pisar os riso, fomos irreverentes. Mal de quem assim não foi.
Mas há por aí muitos paizinhos e muitas mãezinhas que deveriam ser responsabilizados pela forma displicente com que educam os seus filhos - disso tenho poucas dúvidas.
Infelizmente a Comissões de Protecção de menores caracterizam-se em regra por uma actuação de classe ( sobre os mais pobres) e racial ( sobretudo sobre ciganos e pretos).
A formação pessoal do autor deste blogue em Sociologia do Trabalho nunca foi ( ou raramente foi) para aqui chamada.
Mas o licenciado ( que tem licença para aprender) chama a atenção para um estudo que vem citado no "Cantigueiro" do Samuel.
António Damasceno Correia publicou um estudo universitário na área da sociologia e das relações laborais relatando a sua experiência como director de Recursos Humanos na Auto Europa.
Se no plano político e cívico as suas revelações são graves elas são no plano científico muito mais graves. O sr dr. Correia defende a manipulação como estratégia de intervenção nos recursos humanos - estratégia que nas empresas é amplamente usada, defendida e difundida, mas é manifestamente contrária à liberdade, autonomia e independência sindicais que qualquer gestor de recursos humanos decente deve respeitar.
O referido estudo acaba paradoxalmente por ganhar uma importância acrescida: ele é o retrato das práticas actuais da gestão de recursos humanos ( sobretudo em multinacionais) caracterizadamente antidemocráticas, ao serviço do capital, desenvolvendo continuamente as técnicas da manipulação.
Diga-se sem receio:as faculdades estão instrumentalizadas pela ideologia dominante e a ela servem. Nesse aspecto o estudo do sr dr da Auto Europa é esclarecedor.
No mundo do pensamento das ciências sociais, onde se espera pensamento divergente e debate de ideias, cada vez se assiste mais a uma subjugação do pensamento universitário à lógica do pensamento único.
Diga-se sem receio:as faculdades estão instrumentalizadas pela ideologia dominante e a ela servem. Nesse aspecto o estudo do sr dr da Auto Europa é esclarecedor.
No mundo do pensamento das ciências sociais, onde se espera pensamento divergente e debate de ideias, cada vez se assiste mais a uma subjugação do pensamento universitário à lógica do pensamento único.
As ciências sociais subordinam hoje o desenvolvimento do seu pensamento científico para o colocar ao serviço do capitalismo.
As ciências sociais existem hoje, lamentavelmente, nas empresas para refinarem e desenvolverem as técnicas da exploração capitalista. Entre o Taylorismo do princípio do século XX e as "modernas" técnicas de gestão de pessoal continuam incólume e subjacentes nas relações laborais os principios fundamentais da exploração capitalista do trabalho humano. A diferença está no grau de manipulação.
As ciências sociais existem hoje, lamentavelmente, nas empresas para refinarem e desenvolverem as técnicas da exploração capitalista. Entre o Taylorismo do princípio do século XX e as "modernas" técnicas de gestão de pessoal continuam incólume e subjacentes nas relações laborais os principios fundamentais da exploração capitalista do trabalho humano. A diferença está no grau de manipulação.
Obviamente, os cientistas sociais e as correntes de pensamento divergente estão excluídos da Universidade.
Quanto ao comportamento e à coluna vertebral do Sr Chora, é que já pouco há a dizer...
No átrio da Biblioteca de Torres Novas, uma exposição de homenagem a VASCO GRANJA a merecer visita obrigatória.
Ali estão memórias da vida do cineclubista, do jornalista, do apresentador de televisão, do democrata, do divulgador de cinematografias de animação alternativas, do homem dos desenhos animados, enfim, o inesquecível amigo das crianças.
Cartazes, recortes de jornais, revistas e documentos únicos de valor incálculável como cartas do realizador canadiano Norman Mc Laren.
Esta iniciativa vem a Torres Novas no âmbito das comemorações dos 50 anos do CineClube. Definitivamente, este tem sido um grande ano para o Cineclube!
Nem só
Nem só do teu silêncio
direi raiva
Nem de todo o meu corpo
direi vício
nem de todo o pénis
direi arma
e apenas do teu direi ter sido
Quando o vácuo é de
vingar
ou de vergar
cravando sobre os seios a sua enxada
Quando a minha boca se conjuga
no baixo do teu ventre
e tua espada...
nem de todo o desejo
direi verão
nem de todo o grito
a tua imagem
nem de toda a ausência
direi chão
e só de teus flancos
a viagem
Maria Tereza Horta
Na RTP N um comentador está a falar sobre violência no futebol e sobre fair-play. O referido comentador acaba de dizer que os jogadores não devem ser tão punidos como são. Para ele um castigo de 3 a 4 meses como o que HULK do FC Porto levou em 1ª instância é em geral sempre exagerado porque corresponde a metade da época.
O comentador chama-se João Vieira Pinto. Lembram-se dele?
Está a ser aprovado a esta hora o Plano de Estabilidade e Crescimento.
O plano que aplicado é a maior traição ao projecto social iniciado em Abril de 1974.
Esta traição cometida em Março de 2010 com a assinatura do PS não é, infelizmente, inovadora. Esta traição culmina 35 anos de golpismo político contra os mais elementares direitos conquistados pelos portugueses e consagrados na Constituição da República Portuguesa. Esta traição vem na sequência de 35 anos em que o PS sempre esteve na primeira linha da destruição do projecto revolucionário. Esta traição vem na sequência de 35 anos em que o PS sempre teve no PS e no CDS o seu seguro de vida .
Sempre que foi preciso o PS teve o apoio da direita nacional e hoje não foi excepção.
O PEC culmina 35 anos de aplicação das mesmas receitas, infinitamente aplicadas e infinitamente a resultarem no mesmo: o progressivo empobrecimento do país, a quebra da sua capacidade de produção, o aumento da sua dependência externa e o aumento crescente do fosso entre os mais ricos e os mais pobres. Isto enquanto se assiste à contínua degradação do ensino, da justiça, da segurança.
Este PEC é um programa de destruição da produção nacional, destrói o primado da subordinação do poder económico ao poder político, destrói o principio constitucional de uma economia mista, transforma o estado social no estado mínimo e entrega a soberania do nosso governo à comissão de Bruxelas de " Mr. Jose Barroso ".
Este Plano foi aprovado na assembleia pelo PS com a benção do PSD.
Das ruas de Portugal, virá a resposta. Sempre veio.
Bolero do coronel sensível que fez amor em Monsanto
Eu que me comovo
Por tudo e por nada
Deixei-te parada
Na berma da estrada
Usei o teu corpo
Paguei o teu preço
Esqueci o teu nome
Limpei-me com o lenço
Olhei-te a cintura
De pé no alcatrão
Levantei-te as saias
Deitei-te no banco
Num bosque de faias
De mala na mão
Nem sequer falaste
Nem sequer beijaste
Nem sequer gemeste,
Mordeste, abraçaste
Quinhentos escudos
Foi o que disseste
Tinhas quinze anos
Dezasseis, dezassete
Cheiravas a mato
À sopa dos pobres
A infância sem quarto
A suor, a chiclete
Saíste do carro
Alisando a blusa
Espiei da janela
Rosto de aguarela
Coxa em semifusa
Soltei o travão
Voltei para casa
De chaves na mão
Sobrancelha em asa
Disse: fiz serão
Ao filho e à mulher
Repeti a fruta
Acabei a ceia
Larguei o talher
Estendi-me na cama
De ouvido à escuta
E perna cruzada
Que de olhos em chama
Só tinha na ideia
Teu corpo parado
Na berma da estrada
Eu que me comovo
Por tudo e por nada
António Lobo Antunes
Segunda
Quando foi que demorei os olhos
sobre os seios nascendo debaixo das blusas,
das raparigas que vinham, à tarde, brincar comigo?...
... Como nasci poeta,
devia ter sido muito antes que as mães se apercebessem disso
e fizessem mais largas as blusas para as suas meninas.
Quando, não sei ao certo.
Mas a história dos peitos, debaixo das blusas,
foi um grande mistério.
Tão grande
que eu corria até ao cansaço.
E jogava pedradas a coisas impossíveis de tocar,
como sejam os pássaros quando passam voando.
E desafiava,
sem razão aparente,
rapazes muito mais velhos e fortes!
E uma vez,
de cima de um telhado,
joguei uma pedrada tão certeira,
que levou o chapéu do senhor administrador!
Em toda a vila,
se falou, logo, num caso de política;
o senhor administrador
mandou vir, da cidade, uma pistola,
que mostrava, nos cafés, a quem a queria ver;
e os do partido contrário,
deixaram crescer o musgo nos telhados
com medo daquela raiva de tiros para o céu...
Tal era o mistério dos seios nascendo debaixo das blusas!
Sejamos claros com esta história da lei da rolha no PSD. O que mais impressiona é algumas vozes virem a público dizer que os militantes / delegados ao congresso não se aperceberam do conteúdo das coisas que estavam a votar.
Mais do que a falta ou não falta de democracia interna que a lei da rolha de Santana Lopes impõe; é muito mais impressionante a falta de cultura democrática que impera no laranjal e que deve ser muito próximo da que se verifica nos restantes partidos do "sistema".
Sejamos claros. Eu escrevi do"sistema"...
Votar de determinada maneira porque o cacique assim o disse é coisa que não se assiste no PCP.
Alguém consegue imaginar um delegado a um congresso do PCP a dizer que vota alguma coisa desconhecendo o seu conteúdo? Esta é uma impossibilidade teórica e prática.
Sejamos claros
No PCP os congressos são antecedidos de um amplo debate colectivo, realizado ao nível dos diversos organismos e células. Há um debate profundo, discussão de ideias e espaço para apresentação de propostas alternativas. Os delegados, em congresso, estão conscientes dos assuntos que votam.
Sejamos claros:
Nos congressos do PCP não há claques nem barões.Cada militante é um militante e cada ideia contribui para o enriquecimento colectivo. Podem dizer o quiser do PCP: Mas não dão lições de democracia aos seus militantes.
Será que o responsável da organização das iniciativas onde participa o P.M. ainda é o incontornável Humberto Bernardo? É bem capaz de ser...Depois do que se ouviu hoje:
"Para o governo, os que precisam de ajuda social e os que a ela têm direito são os grandes agrários endividados, os industriais falidos, os tubarões da finança, os armadores, os especuladores e os traficantes sem escrúpulos. Toda a sua política fiscal, aduaneira e comercial consiste em tirar às largas camadas do povo trabalhador para dar a pequenos grupos de favorecidos, a agravar a crise e a restringir ainda mais o consumo, as importações e exportações."
CLARA ZETKYN , 30 de Agosto de 1932, na abertura da sessão do Reischtag impondo a sua voz contra o nazismo. Clara, septagenuária e quase cega, lutou pelos direitos dos Homens e das Mulheres até ao fim dos seus dias.
Em 1907, Clara Zetkin estivera à cabeça da iniciativa de realizar o I Congresso de Mulheres Socialistas que impusiona a participação política das mulheres de diversos países na luta revolucionária e define um programa de luta pelas reivindicações da mulher operária.
Em 1910, o II Congresso de Mulheres Socialistas aprova, por proposta da própria Clara Zetkin, a realização de um dia de luta internacional da mulher, a exemplo do 1º de maio, dia de luta internacional de toda a classe operária, para lutar pelas reivindicações trabalhistas das operárias e defender os direitos políticos das mulheres.
Luta tão justa e tão necessária, hoje, passados cem anos!
"Uma outra linha, mais elaborada, de ataque à Revolução de Outubro, assim como ao programa e ao ideal comunista consiste em acusá-los por representarem uma tentativa desmedida de controlar o processo histórico, de modo a impor-lhe uma direcção ou um sentido, pré-definidos de forma voluntarista. Segundo estes acusadores o processo económico e social é objectivo e fatal, incomensurável com o pensamento e a acção humana, só nos restando a possibilidade de pequenas intervenções de ajuste, de correcção de uma dinâmica fundamentalmente cega ou aleatória.
Esta teorização parece ser apenas a cobertura aparentemente sofisticada daquela máxima reaccionária, «Sempre houve pobres e ricos e sempre há-de haver, não há nada que possamos fazer», ou a fundamentação da tese da propaganda burguesa que consiste em afirmar que o capitalismo é o sistema que corresponde à «ordem natural das coisas».
É uma teorização que confunde a objectividade de uma situação ou de um estado de coisas com a impossibilidade de a pensar e com a vanidade de procurar intervir para a transformar. É uma teorização que impõe limites estreitíssimos ao pensamento e acção humanas.
Contra esta teorização e as suas teses, o facto de a Revolução de Outubro ter sido não apenas possível, mas possível como vitória, é a demonstração viva da eficácia de uma teoria, o marxismo-leninismo, de um programa político, o do Partido Bolchevique, e da acção de transformação revolucionária da realidade desenvolvida pelas massas populares, reunidas em torno da classe operária."
-Manuel Gusmão in "O militante" - 31-Out-2007
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;
um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai;
um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
Guerra Junqueiro, 1896.
AINDA NÃO GUARDÁMOS OS CRAVOS
É tempo de desmentirmos Guerra Junqueiro e outros fatalistas.
Tempo de deixarmos de ser o povo resignado aos dois partidos sem ideias e à burguesia cívica e politicamente corrupta. Tempo de dizermos que ainda não desistimos, ainda não desistimos de ser portugueses, não desistimos de Portugal e sobretudo não desistimos do futuro.
Por outros dias lutamos. Contra o passado e contra este presente sem futuro.
Mobilizemos o povo português. Portugal não é um país pobre e fatalmente condenado. Lutaremos como lutámos em 1385, 1640, 1820, 1910 e 1974.
Sempre que o Povo saíu à rua, ganhou Portugal.
Há uma exigência cívica a cumprir nas ruas das cidades e vilas do meu país.
Pela Democracia, Pela Liberdade e pela Justiça Social.
Pela luta é que vamos.
É claramente fora de tempo qualquer discussão sobre presidenciais neste momento. A luta política em Portugal, com uma grave crise económica e social impõe outras prioridades. Mas já que os candidatos vão aparecendo é curial dizer algumas coisas:
- o País necessita de uma candidatura presidencial que aposte na construção de uma alternativa democrática, de ruptura e mudança
- o País precisa de uma candidatura presidencial que se reveja nos princípios fundamentais da Constituição da República Portuguesa, relembrando o primado do poder político sobre o poder económico
- o País precisa de uma candidatura presidencial patriótica de defesa da soberania nacional nos planos políticos, económicos, militares e culturais.
- o País precisa de uma candidatura de esquerda, humanista e progressista.
- o País precisa de uma candidatura que perceba que não há vencedores nem vencidos antecipados e a pluralidade de candidaturas ajuda a combater a abstenção, é enriquecedora do debate político e propicia a realização de uma segunda volta.
- o país precisa de uma candidatura atenta à realidade e, olhando para a História, saiba assumir que o voto dos comunistas é sempre imprescindível para a construção de uma nova maioria presidencial.
Notas acerca
de uma década perdida
por
Carlos Carvalhas [*]
1- Fixando-nos nestes 10 anos que hoje já muitos apelidam de uma década perdida o que podemos ver é o ciclo de governos do Bloco Central no essencial com as mesmas políticas, as mesmas desculpas e o endereçar das respectivas facturas das privatizações, do domínio do capital estrangeiro, da desindustrialização, da adesão ao Euro e da adesão com cotação do escudo elevada, aos mesmos de sempre.
2- Guterres pediu sacrifícios aos portugueses prometendo dias melhores para um futuro próximo, em nome da necessidade da adesão ao Euro e da necessidade de se cumprir o "Pacto de Estabilidade e Crescimento". Acabou no "pântano". Seguiu-se-lhe Durão Barroso com o discurso da "tanga", mais sacrifícios pedidos, acabou na doçura do Conselho Europeu. Seguiu-se-lhe o parêntesis de Santana Lopes e depois Sócrates que com a ajuda do Banco de Portugal se serviu outra vez do défice orçamental, para continuar a política de privatizações, de austeridade para com os trabalhadores e de generosos apoios ao grande capital, designadamente ao capital financeiro. Foram mais dez anos de política de concentração de riqueza nas mãos de meia dúzia de famílias e sempre com a lenga lenga do "menos Estado", isto é, menos Estado para os trabalhadores e camadas médias e mais Estado para os grandes senhores do dinheiro.
Na verdade nestes dez anos o que nos dizem os resultados de uma política que no quadro do Pensamento Único sempre nos foi vendida como a única possível, como a que melhor servia Portugal e os portugueses!
Em 1987, o PIB per capita em paridade do poder de compra era no nosso país de 76,1 tomando a UE a 27 como 100. Em 2008, o PIB per capita é inferior ao de 1987. Ficou-se em 75,3. Mas isto é apenas uma média. Vejamos então a distribuição desta média, ou seja a distribuição Rendimento Nacional. Em 1953 esta distribuição era de 55% para o capital e 45% para o trabalho. Entre 1974 e 1976 a distribuição foi a seguinte: 59,5 para o trabalho e 40,5% para o capital. Em 2005 segundo os últimos números disponibilizados, a distribuição foi de 59,4% para o capital e de 40,6% para o trabalho. Isto é, inverteu-se a situação verificada com o 25 de Abril. Estes dados valem por mil palavras. Se paralelamente olharmos para os lucros dos principais grupos financeiros (CGD, BCP, Santander Totta, BES, BPI) verificamos que o total de lucros acumulados entre 2005 e 2008, ultrapassou os 1 545 milhões de euros! No primeiro semestre do ano passado o total de lucros destes Bancos atingiu os 988 milhões de euros! E tudo isto no quadro de crise e da arenga governamental de que todos temos que fazer sacrifícios!
Por sua vez a variação do salário real da Função Pública entre 2000 e 2009 foi sempre negativa à excepção de 2009, ano de eleições e ano em que houve uma previsão errada da evolução da inflação favorável aos trabalhadores! É a lei do funil, larga para uns e estreita para outros!
3- Um outro plano do agravamento da nossa situação tem a ver com a dívida externa que o PCP há muito tinha alertado. Hoje já todos falam do peso asfixiante da dívida externa e não há economista que se preze que não nos brinde com a respectiva receita: é necessário aumentarmos as exportações, é necessário aumentar a produtividade e a competitividade, a chave dizem, para ultrapassarmos os nossos problemas. Mas como? Sobre esta questão o que mais se ouve é o silêncio ou o recitar dos velhos dogmas do "menos Estado", da necessidade de se redefinir as funções do Estado que o mesmo é dizer desresponsabilizar o Estado designadamente das suas funções sociais, privatizando ainda mais os serviços essenciais (saúde, ensino) na serôdia lógica neoliberal de que quem quer saúde e ensino que o pague e cujos resultados todos conhecemos.
Os que nos dizem que temos que aumentar a nossa competitividade, fazem por esquecer que com as privatizações e a não defesa e valorização da produção nacional, aumentou o domínio do capital estrangeiro, se desindustrializou o país e diminuiu a produção material e que com a submissão ao Pacto de Estabilidade, tivemos uma política de desincentivo do crescimento económico. Com a quebra substancial da produção material, indústria, agricultura, pescas, e a substituição da produção nacional pela estrangeira deu-se o inevitável endividamento externo, que alguns pensam que se pode ultrapassar pela mera poupança interna esquecendo o que nestes últimos anos, já sai do país em lucros do capital aqui investido. A diferença entre o PIB e PNB, como já há muito tínhamos alertado, tem-se vindo por isso a acentuar pelo que já não é indiferente medir-se o crescimento do país por um ou por outro indicador. De futuro o crescimento do país terá que ser avaliado pelo PNB. A evolução desta década nos indicadores oficiais mais relevantes evidência com clareza o que estamos a afirmar. Entre 2005 e 2009 tivemos um crescimento médio do PIB metade do da zona euro o que significa que em vez de nos aproximarmos da média nos afastámos. Se olharmos para a estrutura do PIB verificamos que em 1986 a indústria contribuía para o PIB com 28,3% e a agricultura e pescas com 9,9% enquanto às actividades financeiras e imobiliárias correspondia uns 10,1%. Qual foi a evolução?
Em 2008 a indústria contribuía apenas com 14,9% e a agricultura e pescas com 2,5%. Paralelamente as actividades financeiras e imobiliárias subiram para 15,3%.
A financeirização da economia, as privatizações e a liquidação do aparelho produtivo traduziu-se num défice da Balança Corrente e de Capital de 9% do PIB em média entre 2005 e 2008! E num endividamento externo líquido em percentagem do PIB que passou de 10,4% em 1996 para 108,5% em 2009!
Estes números falam por si e são, na sua frieza, a condenação de uma política e das teorias económicas que a suportaram.
E a comprometer o presente e o futuro do país temos a evolução do investimento: segundo as contas nacionais do INE e a previsão do Banco de Portugal para 2010, nesta última década a sua evolução foi de menos 2,5% ao ano. [1] Uma regressão clara que vamos pagar caro nos próximos anos!
4- As consequências sociais são também conhecidas designadamente a evolução do desemprego. A taxa de desemprego que era de 3,9% em 2000 atingiu os 9,4% em 2009 e será de 13,1% para 2010, segundo as previsões oficiais. No plano de emprego constata-se que a população empregada é agora menor do que no início da década. Resumindo: esta década foi também em termos de emprego, como não poderia deixar de ser, uma década perdida já que não houve criação líquida de emprego e o desemprego duplicou. Paralelamente na última década o endividamento das famílias passou de 60% do PIB em 2000, para 96% em 2009, isto é, um aumento de 50%!
5- Quem olhar com atenção para os diversos indicadores económicos desta década, não pode deixar de verificar que a nossa situação, agravada pela crise capitalista mundial é certo, não resulta fundamentalmente desta crise, mas das políticas seguidas e das debilidades estruturais agravadas com a ofensiva contra as conquistas do 25 de Abril e as políticas neoliberais e de concentração de riqueza prosseguidas pelos governos do bloco central.
6- E agora ainda com a crise às costas e depois de se ter afirmado que as ajudas do Estado e o investimento público eram fundamentais para criar emprego e reanimar a economia desde que não agravasse substancialmente a nossa dívida externa, reapareceram de novo as vozes neoliberais e as empresas de notação que em coro de tenores afirmam e reafirmam que é necessário reduzir os défices, criando sérios problemas à economia portuguesa e às economias mais débeis da União Europeia. O ministro das Finanças criticou e bem estas agências de rating afirmando que "não podemos estar sujeitos, muitas vezes aquilo que podem ser interesses de estratégia comercial de agências que procuram aumentar a sua quota de mercado".
A questão não é bem esta. A independência destas agências é relativa. A sua dependência mais directa ou indirecta dos mega Bancos é uma evidência. Estas actuam no fundamental segundo os interesses daqueles.
A sua credibilidade viu-se nesta crise em que muitos dos papeis avaliados como de primeira água, não passavam afinal de "lixo tóxico" e viu-se também, por exemplo, no caso Madoff.
Porque razão se começou então a falar tanto das agências de "rating" a começar pelos Moady's e Fitch!
Qual a razão para que de um momento para o outro tenha surgido a artilharia pesada da comunicação social orquestrada no sentido de que "é preciso imperativamente reduzir défices públicos", tal como na arte da guerra em que a preparação psicológica da opinião pública é o prelúdio de uma ofensiva generalizada! [2] A verdadeira razão desta campanha não é o velar pelo dogma da inflação – a dita estabilidade de preços, que não corre o risco de uma qualquer intensificação exponencial nos próximos tempos. A verdadeira razão está no facto de os Bancos Centrais terem começado a restringir as disponibilidades de liquidez ilimitados e a baixo custo que os mega Bancos aproveitaram, não para servir as economias, mas para jogar na roleta de casino da especulação, alimentando uma nova "bolha" financeira. [3] A verdadeira razão está nas necessidades em Fundos próprios resultantes das pressões do Banco de Pagamentos Internacionais e na crença de que esta procura de dinheiro levará ao aumento das taxas de juro designadamente nos títulos obrigacionistas. Como afirmou o Jornal de Negócios de 29/01/2010 "os Bancos são pela natureza da sua actividade, as empresas que mais recorrem ao endividamento". A Banca é o primeiro veículo que permite ir buscar dinheiro ao exterior, o que leva a que seja a primeira afectada..." com os custos do financiamento. Em resumo é para responder às necessidades de financiamento dos Bancos que os Estados devem travar o seu endividamento seguindo uma lógica irredutível: é necessário aliviar o mercado obrigacionista para que os Bancos se possam financiar ao melhor custo em resultado da diminuição progressiva das medidas de apoio de que têm beneficiado e que têm alimentando uma "bolha financeira potencialmente perigosa para o sistema financeiro". [4]
É uma evidência que a independência das empresas de rating estão para os mega Bancos, como as Entidades Reguladoras estão para o governo português.
Não deixa por isso, de ser irónico que umas boas almas tenham defendido na Assembleia da República uma "agência de notação de risco europeia" de forma a "credibilizar" e "criar regras de transparência" no sector e a inverter o sentido de desestabilização dos mercados financeiros. Uma agência intergovernamental poderia ter mais credibilidade, não se pode ter a ilusão de que uma agência de notação pelo facto de ser europeia e de poder ter o mais delicodoce código de conduta actuará de forma independente do capital financeiro e muito menos que tal agência possa "inverter" o sentido de "desestabilização dos mercados financeiros"? Esta é uma descoberta destas "boas almas" para solucionar as crises capitalistas.
7- Neste quadro de crise e de atoleiro a que os governos do Bloco Central conduziram o país, as saídas para alguns vão sempre na mesma direcção. Diminuir os salários reais. Vivemos acima das nossas possibilidades, dizem. Mas os que o afirmam não estão a pensar nos seus salários, nos seus lucros, nas suas mordomias. Vivemos acima das nossas possibilidades ou abaixo das nossas potencialidades? E quem é que vive acima das suas possibilidades? É curioso que perante o aumento das dificuldades se comece a ouvir da boca dos mais prosélitos defensores das políticas seguidas, surpreendentes opiniões, como se nada tivessem dito ou defendido no passado. Alguns exemplos:
Daniel Bessa, que numa semana antes tinha dito que não há verdadeira redução de despesa sem a privatização de serviços incluindo escolas e hospitais veio afirmar agora que Portugal teria de suspender a sua manutenção do Euro até recuperar; Luís Filipe Meneses em artigo de opinião disparou contra aquilo que considera uma "globalização suicida", defendendo que a Europa deveria exigir novas regras e a inefável Teresa de Sousa no jornal Público de quarta-feira diz-nos com toda a serenidade, como se sempre tivesse defendido tais opiniões: "o que há de mais indecoroso nesta história é a forma como as agências da rating regressam à cena como se nada tivesse acontecido, partindo dos mesmos pressupostos e decretando, com a mesmíssima imperturbável verdade, as regras do jogo económico. Mais, fazendo com que os efeitos criados pelas suas avaliações dêem muito dinheiro a ganhar a alguns e muito dinheiro a perder a outros – que basicamente são os mesmos".
Fantástico! Mas não fica por aqui. Mais adiante afirma: "A Europa e os Estados Unidos têm de se concentrar sobre as novas regras a impor ao sistema financeiro, desde o tamanho dos Bancos até à segurança das suas actividades". E remata: "Mas é também preciso dar um sinal às pessoas de que a lógica de "casino" que levou à extrema desigualdade entre os rendimentos do capital e do trabalho ou a elevação de alguns banqueiros e CEO à categoria de "masters of the univers", com a respectivas compensações faraónicas, tem de ser substituído por uma lógica mais equilibrada e mais racional".
8- A necessidade uma nova política
Os que afirmam que é necessário desde já reduzir o défice público e que isso passa pela redução da Despesa Corrente, o que estão a pensar é na diminuição dos salários reais dos trabalhadores da Função Pública e nas privatizações das funções sociais do Estado. Nunca se lembram do corte dos benefícios fiscais inaceitáveis, ou nas verbas orçamentadas para a consultoria dos escritórios dos amigos, correligionários e afilhados, ou nas descomunais derrapagens de milhões nas obras públicas.
E quando falam de impostos se se trata de aumentos é para os impostos indirectos e nunca para impostos directos que incidam sobre as mais valias bolsistas, as transacções financeiras ou as grandes fortunas. Se se trata de diminuição no que pensam é no imposto sobre os lucros. Também nunca se lembram dos offshores: 15 mil milhões de euros, foi quanto os portugueses investiram em offshores desde 1996. Só em 2009, entre Janeiro e Novembro, esse investimento foi de 2 mil milhões de euros!
Os responsáveis pela grave situação em que o país se encontra e todos aqueles que apoiaram as políticas seguidas são os mesmos que agora se apresentam a apontar soluções. Que credibilidade têm para com o mesmo ar de sapiência venderem as mesmas receitas? O país precisa de uma nova política, que promova, valorize e defenda a produção nacional. Que dê primazia às actividades produtivas e não às actividades financeiras e especulativas, que valorize e respeite a força de trabalho.
O aumento das exportações e a diversificação das nossas relações económicas externas é uma direcção importante. Mas tão importante como as exportações é a política de substituição de importações, isto é, a produção de bens e serviços que no espaço aberto em que estamos sejam concorrenciais e ganhem mercado. É por isso que os apoios que são dados às empresas exportadoras também devem ser dirigidos para as empresas que produzem para o mercado interno, bens ditos transaccionáveis. O país necessita também de uma política fiscal e de "rendimentos e preços" que corrija as crescentes desigualdades que se têm verificado no nosso país.
E para a definição e execução de uma política que sirva os interesses nacionais, o país necessita de reforçar o sector empresarial do Estado e designadamente no sector financeiro.
Como questão pontual quero também deixar expresso que o país necessita de uma política de gestão das reservas do ouro com maior visão, que tenha em conta que o ouro continua a ser uma valor refúgio, que o mundo não chegou ao fim da história e que o capitalismo não superou as suas contradições e as suas crises.
No plano da União Europeia e deixando agora de lado as questões do Orçamento Comunitário e a sua mínima função redistributiva, é necessário continuar a desmascarar a política do Banco Central Europeu e a política neoliberal da Comissão e do Conselho. A sobrevalorização do euro, [5] as deslocalizações e o não cumprimento do princípio da coesão económica e social continuam a minar na União Europeia os países de economias mais débeis. E vendo as pressões que as agências de notação, Comissão Europeia e grandes potências estão a exercer na Grécia, Portugal e Espanha a questão que se coloca é para que serve uma União Económica e Monetária que não exerce nenhuma prática de solidariedade e coesão. Uma União Europeia e Monetária que para a abertura dos mercados internos nos fala na Europa das Regiões, mas quando se trata das dívidas públicas já o que conta é a Europa das Nações!!!
Há alguma razão científica para se chegar a 2013 com défices inferiores a 3%? Nenhuma, a não ser a ideia de disputar ao dólar espaço como moeda de pagamentos internacionais. Veja-se as declarações do ministro das Finanças alemão.
Não há nenhuma razão para a redução dos défices ser uma urgência europeia. Respondem-nos, mas os mercados reagem mal! E o que é isso dos mercados? Será que os mercados não têm bilhete de identidade? Os mercados, leia-se a banca, o capital financeiro... Como já alguém disse, o procedimento dos "mercados financeiros em relação à Grécia, Portugal e Espanha, faz lembrar a operação George Soros em relação à libra britânica em 1992. [6]
Mas esta operação contra Portugal podia ser abortada imediatamente se a União Europeia ou o BCE quisessem. É de lembrar que a FED pode comprar a dívida pública norteamericana e que o Banco Central Europeu está impedido de o fazer estatutariamente por pressão fundamentalmente da Alemanha! Mas este impedimento pode alterar-se.
Como escreveu o economista Paul Krugman, Nobel de 2008 "se lermos muito do que se tem dito por pessoas respeitáveis, acreditaríamos que os défices são sempre, e em todo o lado, a principal fonte de problemas económicos. Mas, sabemos, que isso não é verdade". Veja-se o caso do Japão e vamos ver qual a sua evolução este ano. Neste particular também vale a pena convocar a opinião do economista Stiglitz que declarou esta semana na Grécia em 02/02/2010, que a União Europeia e o BCE deveriam criar um mecanismo de crise para ajudar os países mais endividados. O BCE empresta regularmente dinheiro aos Bancos nacionais, a taxas mais baixas do que a dos mercados internacionais mas a mesma opção não se verifica para os governos e, sublinhou Stiglitz "se vós estais disponíveis para emprestar aos Bancos porque não emprestar aos governos?". "A Europa não tem confiança nos governos que a constituem?". E acrescentou que essa ajuda poderia vir por intermédio do BEI ou do BCE, com a emissão de euro-obrigações. Também o Primeiro Ministro Grego defendeu o lançamento de títulos obrigacionistas da União Europeia. Um instrumento deste tipo segundo este, permitia a países como a Grécia e Portugal obter financiamentos a taxas muito mais baixas e muito mais próximas das grandes potências como a Alemanha. Esta proposta do Governo grego não mereceu do Governo português qualquer comentário! Significativo!
A defesa dos interesses nacionais não se concretiza com uma política de subserviência mas com uma política de firmeza na UE e com uma política de ruptura com os dogmas neoliberais, com a política de concentração de riqueza e com as teorias elevadas à categoria de ciência económica e que não passam de charlatanices ao serviço das classes dominantes.
1- Entre 2001 e 2005 o crescimento médio foi de menos 2,2% e entre 2006 e 2010 será de menos 2,8%. Taxa de Variação anual em volume
2- O ministro das Finanças alemão Wolfgang Shaube, defendendo o combate ao défice afirmou: é de interesse vital que a nossa moeda mantenha a sua credibilidade e se mantenha como um elemento estabilizador face aos potenciais desenvolvimentos erráticos nos mercados financeiros mundiais.
-Jean Claude Juncker disse: o euro grupo deveria levar à prática uma vigilância mais ampla no sentido de identificar os problemas prioritários de cada Estado eemitir assim avisos sobre políticas que ponham em risco o bom funcionamento da UEM.
-Almúnia fez uma proposta visando dotar o Eurostat de competências de auditoria a fim de controlar melhor os Estados. E anteontem com as suas declarações sobre a Grécia e Portugal acendeu o rastilho de novas quedas bolsista.
3- Apelo de Trichet em 12/01/2010, em Basileia na reunião dos Bancos Centrais "Não recomecem como antigamente. Não vos lanceis em operações de risco, nas actividades especulativas, não criem novas bolhas!". Nesta reunião Larry Summers Conselheiro Económico de Barack Obama afirmou: "a retoma está nas estatísticas, mas a recessão está na vidas das pessoas"
4- B. P. Jaurion . L. Clark de 28/01/2010
5- A pressão sobre a Grécia, Portugal e a Espanha, para que combatam os seus défices não está desligado da fracção mais especulativa do capital financeiro que coloca acima de tudo a disputa de terreno ao dólar para o euro. Mas o que estes não contam é com o contágio das Bolsas, com a reacção da opinião pública, com a luta dos povos e com o descrédito geral que toda esta política traz à União Europeia descredibilizando o Euro, desvalorizando-o como aconteceu nestes últimos dias!
6- É inaceitável que por toda a Europa e não só, os cidadãos e as economias locais sejam as primeiras vítimas dos especuladores! Depois de terem assistido ao "assalto do século" como já alguém lhe chamou com a transferência de milhões e milhões dos bolsos dos contribuintes para a Banca, assiste-se agora a novas operações especulativas contra a Grécia, Portugal e Espanha. Depois da imensa acumulação de capital fictício temos de novo a especulação!
[*] Economista. Intervenção em 06/Fevereiro/2010 no seminário "Exigência de ruptura", organizado pelo PCP em Lisboa.
Este discurso encontra-se em http://resistir.info/
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