O Ofício da Poesia
O ofício da poesia é itinerante, como o seu desígnio.
Antes fosse o silêncio do poeta triclínio.
Porque pelo amor viajante, ao som longo do piano, a compasso
Melhor fora o poeta consumir a eternuridade pelo espaço.
Mas ele sabe que há balas, cenas!, semas!
Para matar e para morrer sem poemas.
Então o ofício da poesia, sendo crente, é enrolar-se
Num corpo de explosivos à AL QAEDA
E jogar o destino num corpo amante como se fora, um deus menor, tecido a seda.
José-Alberto Marques, Hiperlíricas (ed. Campo das Letras, 2004)



2 canhotices:
linkei-te
abruzolhos.blogspot.com
Gosto de poesia, sempre gostei! Tenho os meus poetas de eleição. Porém, no verão passado li um poema LINDÍSSIMO no blog Vale a Pena Lutar. Pouco tempo depois li vários da mesma autora, no blog anónimoXXI. Desconhecia estes poemas, tão fortes, tão belos!
Todos os dias são dias de poesia!
Viva o Dia Mundial da Poesia!
Porque tens um excelente blog, ofereço-te este poema!
Bastou aquele gesto
Da tua mão tocar tão docemente a minha
Pra nascerem raízes
Que me prendem à terra e me alimentam
Nas horas mais vazias
Bastou aquele olhar
- O teu olhar tão brando, prolongando-se um pouco sobre o meu –
Para iluminar as noites em que a lua se esconde
E a escuridão envolve um mundo sem sentido.
Bastou esse teu jeito de sorrir,
Um sorriso em que vejo despontar a confiança
Na vida não vivida, nas emoções ainda não sentidas,
Nos passos que ressoam noutros passos
Bastaste tu.
Maria Eugénia Cunhal,
in Silêncio de Vidro, Editorial Escrito
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