CANHOTICES

...em Torres Novas, Ribatejo, Portugal. Do lado esquerdo da vida.

21.3.06

DIA DA POESIA - POEMA DE JOSÉ ALBERTO MARQUES

Publicada por zemanel |


O Ofício da Poesia

O ofício da poesia é itinerante, como o seu desígnio.

Antes fosse o silêncio do poeta triclínio.



Porque pelo amor viajante, ao som longo do piano, a compasso

Melhor fora o poeta consumir a eternuridade pelo espaço.



Mas ele sabe que há balas, cenas!, semas!

Para matar e para morrer sem poemas.



Então o ofício da poesia, sendo crente, é enrolar-se

Num corpo de explosivos à AL QAEDA



E jogar o destino num corpo amante como se fora, um deus menor, tecido a seda.

José-Alberto Marques, Hiperlíricas (ed. Campo das Letras, 2004)

2 canhotices:

MR disse...

linkei-te
abruzolhos.blogspot.com

GR disse...

Gosto de poesia, sempre gostei! Tenho os meus poetas de eleição. Porém, no verão passado li um poema LINDÍSSIMO no blog Vale a Pena Lutar. Pouco tempo depois li vários da mesma autora, no blog anónimoXXI. Desconhecia estes poemas, tão fortes, tão belos!
Todos os dias são dias de poesia!

Viva o Dia Mundial da Poesia!

Porque tens um excelente blog, ofereço-te este poema!

Bastou aquele gesto
Da tua mão tocar tão docemente a minha
Pra nascerem raízes
Que me prendem à terra e me alimentam
Nas horas mais vazias

Bastou aquele olhar
- O teu olhar tão brando, prolongando-se um pouco sobre o meu –
Para iluminar as noites em que a lua se esconde
E a escuridão envolve um mundo sem sentido.

Bastou esse teu jeito de sorrir,
Um sorriso em que vejo despontar a confiança
Na vida não vivida, nas emoções ainda não sentidas,
Nos passos que ressoam noutros passos

Bastaste tu.

Maria Eugénia Cunhal,
in Silêncio de Vidro, Editorial Escrito

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